Shoot Me in the Heart — Leve, fofo e limitado pelo formato
Se esse filme fosse uma série, ele poderia ter sido algo incrível....
Não que o filme seja ruim. Aqui eles têm a faca e o queijo na mão: um roteiro com história e motivações bem definidas para cada um dos protagonistas. Até rola uma pincelada na personalidade dos personagens secundários. O problema é que, como se trata de um filme, tudo acontece muito rápido, e muita coisa acaba ficando em aberto.
A história acompanha dois caras que são internados em um hospital psiquiátrico no mesmo dia. Lee Soo Myung é um garoto esquizofrênico, introvertido e na dele, que tem fobia de tesouras — por isso, não corta o cabelo há anos. Já Ryu Seung Min é rico, extremamente rebelde e enérgico, e acaba internado por conta de uma conspiração do irmão, que quer ficar com a herança.
Achei que o filme conseguiu contar e desenvolver muito bem a história do Soo Myung. No começo, ele parece apenas um coitado jogado naquele lugar, e sabemos muito pouco sobre ele — apenas alguns detalhes, como a fobia de tesouras e um comportamento mais depressivo. Com o passar do tempo, porém, o filme explica bem o que o levou a se tornar alguém visto como “maluco” e acabar internado ali. Isso funciona como um gancho para sua “redenção”, conectando tudo à amizade dele com o Seung Min.
Já o Seung Min também tem muita personalidade e várias camadas interessantes, mas sinto que as informações sobre ele são jogadas de forma muito rápida. Coisas como o hobby de voar de parapente e a relação com a família poderiam ter sido melhor exploradas. Mas, de novo, por ser um filme curto, simplesmente não há tempo.
Ah, e não: esse filme não é um BL. É muito mais uma história de amizade. Gostei da forma como certos detalhes apresentados no começo são retomados mais à frente para solucionar conflitos. Também gostei do final e da mensagem de “viva sua juventude” que o filme tenta passar. No geral, é um filme leve, fofo e que poderia ter sido muito mais se tivesse tido mais tempo para se desenvolver.
O que eu não gostei foi o núcleo de humor. A forma estereotipada como os outros internos são tratados para gerar comédia acaba ficando meio cringe. O “vilão” também é um problema: é um personagem simplesmente insuportável, sem nenhuma camada de personalidade. Ele está ali só para encher o saco dos personagens e de quem está assistindo. Poderiam ter criado um antagonista melhor trabalhado, além de explicar com mais cuidado o funcionamento do sanatório em si, especialmente o esquema de coisas fora da lei que acontece no local. Faltou dar mais camadas e desenvolvimento tanto para os pacientes quanto para os funcionários do hospital.




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