Archive for novembro 2024
Com Amor, Simon – Morno, parece feito pra crianças
Achei esse filme um porre.
Honestamente, eu achei que ia ser melhor, principalmente pelo hype que teve quando lançou. Heartstopper (apesar de ser uma série) é um romance LGBT mil vezes melhor do que isso aqui.
A questão é que o filme é muito leve, mas tipo, muito mesmo; parece que foi feito para crianças assistirem, num mundo que passaria facilmente na sessão da tarde.
Os personagens são caricatos e chatos, e sei lá, parecem forçados e sem vida. Eu assisti para entrar no universo de Love, Victor, que dizem que é bom, mas, honestamente, se a série tiver a vibe do filme, eu não sei se vou terminar não.
Aqui temos o Simon, que é gay, e ele conversa por e-mail com um outro gay misterioso. Aí, num certo dia, um cara da escola descobre esses e-mails e começa a chantageá-lo, e sua vida vira de cabeça para baixo enquanto ele tenta descobrir quem é o gay misterioso dos e-mails.
A premissa é legal! Mas, sei lá, a forma como é construído, parecendo uma novela infantil, faz o filme ficar muito bobo.
A cena da roda-gigante É UMA VERGONHA ALHEIA. Ai, nossa, queria ter gostado do filme, mas fazer o quê, não me agradou; não é minha vibe, e passo pra frente.
#lovesimon #comamorsimon
King Cobra – Uma perda de tempo total
Até na velocidade 5.0 esse filme é sofrível de assistir. Eu o assisti uma vez quando era adolescente e já o tinha achado "meh", e agora reassisti para resenhar. Nossa, nem sei se vale a pena escrever uma resenha sobre isso, mas vou tentar.
O filme retrata a vida de Brent Corrigan, uma jovem estrela da indústria pornográfica gay, e os eventos que levaram ao assassinato do produtor Bryan Kocis. Apesar de uma premissa intrigante, que mistura os bastidores da indústria pornográfica com crime, King Cobra não consegue sustentar o interesse ao longo de sua narrativa. Porque TODOS OS PERSONAGENS DESSE FILME SÃO SIMPLESMENTE INSUPORTÁVEIS, e as atuações são péssimas, parece que os atores estão atuando num filme pornô o tempo todo, até mesmo nas cenas mais sérias.
Mesmo com um elenco de peso, incluindo James Franco e Christian Slater, as performances parecem forçadas e exageradas, como se os atores estivessem mais preocupados em chocar do que em criar algo autêntico.
O filme oscila entre cenas desconfortáveis e momentos que tentam (sem sucesso) construir alguma tensão. Além disso, a tentativa de abordar temas sérios, como a exploração e o impacto da indústria pornográfica, se perde em um roteiro que não parece saber exatamente o que quer dizer.
Em resumo, King Cobra é uma perda de tempo. Você consegue um resumo do filme inteiro assistindo apenas ao trailer, e eu recomendo que não perca mais tempo além disso, porque não vale a pena.
Will e Will – Tinha potencial, mas, é RUIM
O primeiro livro LGBT+ que eu achei UM TÉDIO.
Talvez seja porque, quando li, eu já tinha devorado TODOS os livros do John Green e meio que estava enjoada da escrita dele. E acho que foi justamente a escrita do John que tornou esse livro morno.
Mas vou destacar os pontos positivos: o Will Emo. O começo desse livro é MARAVILHOSO; arrancou muitas risadas de mim, e o plot do namorado virtual do Will Emo é sensacional. Poderia ter sido mais explorado, mas, no fim, é só uma coisa para forçar o Will Emo a entrar no universo do Will Hétero, o que achei um desperdício. Uma pena, pois o livro tem um começo muito promissor, mas acaba se tornando maçante e tedioso ao decorrer.
Seguinte: no livro, acompanhamos dois personagens chamados Will; um é escrito pelo John Green, e o outro, pelo David Levithan. O Will do David Levithan é um adolescente emo revoltado, ácido, sarcástico, com uma personalidade marcante. Já o Will do John Green é só mais um personagem típico do John Green, um nerd tímido que fica filosofando e que não tem muita importância na história, além de ter amizade com um personagem gay chamado Tiny Cooper.
Honestamente, se a história fosse um romance entre os dois Wills, ia ser muito massa pela diferença de personalidade entre os dois. Mas o Will do John Green é hétero e meio que fica de lado na história para dar palco ao outro personagem gay, que é o Tiny Cooper. E o Tiny Cooper é CHATOOO, FORÇADO, INSUPORTÁVEL, CARICATO! Parece um gay escrito pela Rede Globo nos anos 2000. Então, quando junta a história dos dois Wills, a trama não se encaixa. A forma de construir os personagens e a escrita dos autores é muito diferente, e parece forçada a maneira como a vida de um se mescla com a do outro, especialmente a forma forçada com que o Will Emo se aproxima do amigo gay do Will Hétero.
#willewill #will&will #willlivro #DavidLevithan #JohnGreen
A Garota Dinamarquesa – Sensível, delicado e comovente
Assisti a esse filme duas vezes: uma quando lançou, e outra com minha mãe, com direito a pizza.
O filme é bom e até arrancou lágrimas da minha mãe. É delicado, tem figurinos interessantes e ótimas atuações.
A trama se passa na década de 1920 e acompanha o artista Einar Wegener, que, com o apoio de sua esposa, Gerda, descobre e aceita sua identidade como Lili.
Tenho uma sensação ambígua em relação a esse filme. Não querendo ser militante, mas Eddie Redmayne é um ator cis hétero, e sinto que às vezes há uma sensação de que a experiência, as disforias e afins não são exploradas de uma forma totalmente semelhante à vivência de pessoas trans. Ignorando o fato da escalação, até porque Eddie Redmayne se esforçou muito nesse papel, acho que o que causa esse distanciamento é o fato de que Einar/Lili, mesmo vivendo um século antes, era uma pessoa privilegiada e inserida na alta sociedade.
No entanto, não acho que o filme foi feito para que pessoas trans se identificassem. Afinal, estamos em outra época e realidade. Acredito que seja um filme que tenta contar uma história de autodescoberta e amor verdadeiro.
Se você quiser ver algo mais cru e condizente com a realidade, minhas recomendações de séries com representações competentes e mais próximas da vivência de muitas pessoas trans são Pose e Veneno.
Como eu disse, não tem como desmerecer o filme por estar numa bolha um pouco distante da realidade das pessoas trans, pois o filme, apesar de muito triste, e da protagonista sofrer muito durante o processo, tenta passar uma lição de amor e de autoaceitação e explora também a arte, o que o torna ainda mais belo. A relação de Lili e Gerda é algo inexplicável; é linda, genuína e honesta.
Einar, antes de sua transição, era casado e tinha uma relação de amor e amizade com sua esposa Gerda. Essa relação é um pilar decisivo para o que está por vir. Gerda apoia e ama Einar de verdade. Vai além de um amor carnal; é um amor verdadeiro. Quando Lili surge, Gerda fica ao lado dela e cuida dela como se fosse uma irmã.
Garota Dinamarquesa não é apenas um filme sobre transição de gênero, embora esse seja um dos focos principais. É um filme sobre arte, história, amor genuíno e sobre a vida.
Moonlight – Brutal, real, triste e impactante
Filmão!
Moonlight é uma obra-prima contemporânea que aborda temas intensos como drogas, homossexualidade e as complexidades de ser um jovem negro e gay na comunidade negra. Dividido em três atos muito bem construídos, cada um reflete e influencia o outro, compondo uma narrativa que molda a identidade do personagem de forma única.
Os atores que interpretam Chiron ao longo das fases de sua vida entregam atuações excepcionais, mergulhando em emoções profundas que dão alma ao filme. A atriz que interpreta a mãe de Chiron também merece destaque: arrasou.
Os diálogos são lindos e profundos, e minhas cenas favoritas incluem as conversas entre Chiron, ainda criança, e Juan, que se torna uma figura paterna para ele. Os conselhos de Juan carregam tanto peso que são quase lições de vida. O segundo ato, para mim, é o melhor – captura o ápice das tensões e descobertas de Chiron na adolescência, sendo o momento em que sua vida é predestinada.
O terceiro ato encerra o filme de maneira competente, sem prolongamentos desnecessários, mas com um impacto forte o suficiente para transmitir sua mensagem final. Ele é o ato mais curto, porém fecha a história com precisão e sensibilidade.
Gostei muito do filme e acho que seria uma ótima escolha para assistir no Dia da Consciência Negra.
Femme 2023 – Uma história de vingança devastadora
Filme foda!
Jules é uma drag queen que, em uma certa noite, após seu show, vai sozinha a uma loja. Lá, ela encontra um grupo de homens estranhos que começam a insultá-la. Ela se defende respondendo aos insultos.
Ao sair da loja, os homens vão atrás dela, a agridem, roubam e humilham, deixando-a totalmente ferida e nua. Mas ela consegue pedir ajuda para seus amigos e sobrevive.
Meses se passam, e Jules fica totalmente traumatizado. Seus amigos ficam preocupados, pois ele para de se montar e se isola completamente. Eles o aconselham a tentar sair um pouco.
(Vou tratar Jules no masculino, pois ele socialmente vive como um homem e só usa pronomes femininos quando se monta para os shows.)
Então ele sai e vai a uma sauna gay, flerta com alguns rapazes, mas ainda não tem coragem de sair com nenhum. Ele decide ir embora, mas, na saída, esbarra com um dos agressores — o que mais o machucou e insultou, basicamente o “líder” daquele grupo de homens homofóbicos.
Num ato de coragem, Jules se aproxima do homem, e ele corresponde. A partir daí, os dois se aproximam cada vez mais e desenvolvem uma relação conturbada, enquanto Jules, ao mesmo tempo que começa a se apaixonar por aquele homem terrível que quase o matou, planeja uma vingança contra ele.
Gente, é um filme tenso. Ambos são vítimas da sociedade — sem defender o agressor, claro, mas ele é um gay enrustido que desconta toda a frustração por não poder ser ele mesmo, sendo um homofóbico cuzão. Jules só queria viver sua vida em paz e ser amado.
A vingança em si eu não achei grandes coisas; na verdade, achei um plano bobo que só poderia prejudicar e até matar ele. MAAAAS, Jules é um mero mortal e agiu por impulso, e o fato de ele planejar essa vingança (vou deixar em aberto se ele executa ou não) é crucial para o desfecho memorável deste filme.
O final... PQP, é muito bom! A atuação de ambos é impecável, e a cena final, que envolve uma luta corporal, uma cena super dramática e Jules abrindo o presente com aquele gosto amargo na boca, é a cereja do bolo.
#femme2023
Les Amities Particulières – Romântico, à frente do tempo e meio estranho
Esse aqui foi TRAUMA atrás de TRAUMA…
Primeiro TRAUMA: descobri esse filme através de um edit no TikTok e achei que era sobre crianças sendo arteiras e afrontosas numa escola rígida católica. Aí comecei a assistir, e pá: UM ROMANCE. Mas o que me assustou foi que esse romance era entre um marmanjão e uma CRIANÇA. Parei o filme, fui pesquisar se ele foi banido ou algo assim, e não achei nada; o filme é até bem elogiado. Fiquei perplexa, como normalizaram isso?
No fim, descobri que os personagens tinham 14 e 12 anos. MAS os atores, em si, tinham uma diferença de 9 anos de idade! O ator que fez Georges tinha 22, e o que fez Alexandre tinha 13. ISSO FAZ O FILME FICAR ESTRANHO. Honestamente, por mais que digam “Ah, os personagens têm quase a mesma idade”, é um filme estranho e desconfortável de assistir do início ao fim, porque ver aquele marmanjão de 2 metros de altura se jogando para cima de um menino miúdo, que nem tem pelo no rosto, é algo BIZARRO.
Mas, ok, vamos ignorar esse FATO, que me incomoda PRA CACETE, e imaginar que são duas crianças de idades parecidas no início da adolescência se apaixonando de forma genuína uma pela outra. Aí vem o segundo TRAUMA: o plot do filme em si!
Esse não é um filme de romance homoafetivo fofinho; é um filme de TRISTEZA, DEPRESSÃO E SOFRIMENTO. Pensa comigo: os dois garotos estão num colégio ultra religioso masculino, ÓBVIO que isso ia dar merda. Eles começam a ser perseguidos pela igreja como se fossem bruxas. E isso ferra tanto o psicológico dos personagens que leva a um desfecho que me fez querer quebrar a tela da minha TV.
Tenho uma relação de amor e ódio com esse filme. É um filme esquisito, polêmico e triste para caramba, mas que traz boas atuações, muita poesia e arte, e personagens interessantes. Até os personagens secundários têm uma história e um papel na trama.
#lesamitiésparticulières #asamizadesparticulares #GeorgesdeSarre #AlexandreMotier
Pretty Boy 1993 – Tenta ser artístico, mas falha
Pretty Boy, é um filme dinamarquês de 1993, que tenta beber na fonte de antecessores como o já resenhado aqui “My Own Private Idaho” ou até mesmo o famoso e controverso “Eu, Christiane F.”. Como eu disse, “tenta”, pois, sinto que o filme começa a se perder ao longo do caminho.
O filme começa com Nick, o protagonista, fugindo do lar abusivo para a cidade grande,e sendo acolhido por Ralph, um homem mais velho professor de astronomia, que Nick conhece por ventura do destino.
Nick cria um vínculo muito grande com o homem, vendo nele a figura paterna a qual nunca teve. Detalhe, Nick tem apenas 13 anos, e Ralph é um homem com mais de 40. Tudo “teoricamente” ia bem até que a esposa de Ralph retorna do nada, e ele simplesmente enxota o menino de casa, e o abandona nas ruas, com medo de sua esposa descobrir o caso.
Agora novamente nas ruas, Nick vai se envolver com o mundo da prostitução, e num vai e vem de lares provisórios, alguns no qual pessoas realmente tem a intenção de ajudá-lo, e em outros no qual ele terá que se vender e se envolver em um mundo de roubos, violência e drogas.
Enquanto tudo isso ocorre, Nick ainda está magoado e obcecado com Ralph a qual ele desenvolveu um vínculo, e fica esporadicamente perseguindo o professor na esperança de voltar a ter contato com ele.
Mais pro final do filme, quando Nick já entrou de vez na vida das ruas, e começa a viver um romance com outra pessoa, Ralph começa a ir atrás do rapaz novamente, o que vai resultar em algo trágico.
Enfim, como eu tinha dito, o filme tenta, mas, não chega a lugar nenhum, não desenvolve direito às tramas, tem um roteiro fraco e sem sentido.
A fotografia tenta trazer algo belo e artístico também, mas, falha na maioria das vezes, ficando a mercê de explorar a beleza do ator principal.
Destaco a cena do carro na praia como a cena mais bonita e interessante do filme.
#prettyboy #prettyboy1993 ##prettyboy1992
Close 2022 – Uma facada no coração
TRAUMA........
Aqui conhecemos Léo e Rémi, dois garotos de 13 anos que têm uma bela amizade desde a infância. Porém, essa amizade é tragicamente rompida por conta de HOMOFOBIA e outras coisas que acontecem.
Esse filme me deixou PUTAAAAA, COM ÓDIOOOO dessa sociedade desgraçada. Porra, os caras tinham uma amizade honesta e sincera, e aí vem a desgraça das pessoas, com seus julgamentos pré-determinados, minando o psicológico das crianças e fazendo-as pensar que são aberrações.
Esse filme me marcou de uma forma pessoal, porque EU VIVI ISSO. Claro que não de forma tão intensa e trágica como no filme, mas eu vivi. Eu sou uma pessoa LGBT, e todas as minhas amizades de infância foram simplesmente destroçadas depois que entrei na adolescência, pois ninguém queria ficar perto de uma pessoa “desviada” como eu. Hoje em dia, eu paro e olho para o passado e penso: “Porra, por que eu não tenho nenhum amigo de infância?” A resposta é o preconceito. Eles se afastaram, mas eu me pergunto se realmente queriam se afastar ou se foram induzidos pela sociedade a acreditar que era errado ser amigo de alguém como eu.
AAAAAAAAAAAAAAAA, o filme é isso. Fiquei PUTASSA como o Léo, tive vontade de matar aquele menino, porque ele era frio e distante, parecia estar cagando pro Rémi, mas, no fundo, ele se importava, pois o Rémi era seu amigo. Se continuasse a amizade, os boatos maldosos iriam continuar. E HONESTAMENTE, não importa se o Rémi era de fato gay ou não. Ele ainda era uma criança que só queria manter a amizade; era inocente, uma pérola preciosa.
AGORA VAI TER SPOILER (e desabafo) AQUI ⚠️⚠️⚠️
Meu melhor amigo de infância me lembra muito o Léo, tanto em personalidade quanto em características físicas. Tivemos um destino parecido com o do filme: nos afastamos e deixamos de brincar; ele foi procurar coisas mais “masculinas” e foi se desvinculando de mim aos poucos. Outra coincidência é que também fomos separados pela morte. Mas, ao contrário do filme, quem morreu foi meu amigo. Que ele descanse em paz. Sinto muita falta dele, e, às vezes, ele aparece nos meus sonhos, onde somos crianças, inocentes e felizes.
#close #close2022 #remi










































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