A Garota Dinamarquesa – Sensível, delicado e comovente
Assisti a esse filme duas vezes: uma quando lançou, e outra com minha mãe, com direito a pizza.
O filme é bom e até arrancou lágrimas da minha mãe. É delicado, tem figurinos interessantes e ótimas atuações.
A trama se passa na década de 1920 e acompanha o artista Einar Wegener, que, com o apoio de sua esposa, Gerda, descobre e aceita sua identidade como Lili.
Tenho uma sensação ambígua em relação a esse filme. Não querendo ser militante, mas Eddie Redmayne é um ator cis hétero, e sinto que às vezes há uma sensação de que a experiência, as disforias e afins não são exploradas de uma forma totalmente semelhante à vivência de pessoas trans. Ignorando o fato da escalação, até porque Eddie Redmayne se esforçou muito nesse papel, acho que o que causa esse distanciamento é o fato de que Einar/Lili, mesmo vivendo um século antes, era uma pessoa privilegiada e inserida na alta sociedade.
No entanto, não acho que o filme foi feito para que pessoas trans se identificassem. Afinal, estamos em outra época e realidade. Acredito que seja um filme que tenta contar uma história de autodescoberta e amor verdadeiro.
Se você quiser ver algo mais cru e condizente com a realidade, minhas recomendações de séries com representações competentes e mais próximas da vivência de muitas pessoas trans são Pose e Veneno.
Como eu disse, não tem como desmerecer o filme por estar numa bolha um pouco distante da realidade das pessoas trans, pois o filme, apesar de muito triste, e da protagonista sofrer muito durante o processo, tenta passar uma lição de amor e de autoaceitação e explora também a arte, o que o torna ainda mais belo. A relação de Lili e Gerda é algo inexplicável; é linda, genuína e honesta.
Einar, antes de sua transição, era casado e tinha uma relação de amor e amizade com sua esposa Gerda. Essa relação é um pilar decisivo para o que está por vir. Gerda apoia e ama Einar de verdade. Vai além de um amor carnal; é um amor verdadeiro. Quando Lili surge, Gerda fica ao lado dela e cuida dela como se fosse uma irmã.
Garota Dinamarquesa não é apenas um filme sobre transição de gênero, embora esse seja um dos focos principais. É um filme sobre arte, história, amor genuíno e sobre a vida.






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